NE10
Pernambuco - 18.04.14 - Atualizado às 22h47

Nordeste // bahia

Nascido nas redes sociais, Movimento Desocupa, em Salvador, ganha força e as ruas da cidade

Publicado em 01.02.2012, às 20h17


5efbd3529184948921003495a667a69e.jpg
Mais de mil pessoas estiveram na passeata, na tarde desta quarta, em Salvador
Fotos: Felipe Souto Maior / Especial para o NE10

Gustavo Maia Do NE10/Bahia

Cresceu. Diretamente das redes sociais, aos poucos, o "Movimento Desocupa", que quer a saída do prefeito de Salvador, João Henrique (PP) e a revogação da Lei de Ocupação, Uso e Ordenamento do Solo (Louos), sancionada este mês, conquistou adeptos, tomou forma e se organizou. Na tarde e início da noite desta quarta-feira (1º), os manifestantes que fazem parte do movimento ocuparam uma das principais avenidas da cidade em uma passeata que foi da Praça do Campo Grande até a Thomé de Souza, onde fica a Prefeitura de Salvador.

De forma pacífica, mais de mil pessoas (as estimativas da Polícia Militar e da organização do Desocupa divergem) usaram a rua para criticar a atual administração municial e os vereadores do município. Para, como fizeram questão de dizer os próprios integrantes, exercer a cidadania. Esta foi a terceira manifestação do grupo em menos de um mês. A primeira reuniu aproximadamente 500 pessoas e ocorreu no último dia 14 e foi chamado de "Desocupa, Salvador", em referência ao nome de um camarote privado que está sendo construído em uma praça pública no bairro de Ondina, na orla da capital baiana. A segunda, o "Desocupa, João", contra o prefeito, aconteceu no dia 20. Aproximadamente 800 pessoas ocuparam a Praça Thomé de Souza.

Desta vez, os pleitos aumentaram. Dois carros de som tinham microfone aberto para quem quisesse fazer seu comentário. E não faltou quem quissesse externar sua indignação com o "abandono de Salvador". "Não aceitamos mais que os vereadores e o prefeito vendam a nossa cidade à iniciativa privada. O povo não aguenta mais. Temos que nos organizar para tirá-lo do poder e revogar a Louos", bradou a estudante de arquitetura Amine Barbuda, 24 anos. "Os turistas chegam aqui e perguntam 'o que aconteceu com Salvador?'. Estamos saindo da rota turística", lamentou a bancária Graça Gomes, 53.

A tão criticada lei a que se referem os manifestantes, a Lous, foi aprovada no fim do ano passado pela Câmara de Vereadores de Salvador contendo nove emendas com o mesmo conteúdo do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) da Copa do Mundo de 2014, que teve a tramitação suspensa pela Justiça. Mesmo com a condenação pública do Ministério Público, o prefeito João Henrique sancionou a lei no último dia 16, um dia antes de viajar.

Ela permite, entre outras ações, a ocupação de áreas de proteção ambiental e a ampliação de edifícios da orla, de forma que farão sombra nas praias na maior parte do dia. Para protestar contra os vereadores, os integrantes do movimento leram os nomes de todos os que votaram a favor da Louos. Cada um recebeu uma grande vaia depois de ser mencionado.

Em virtude da paralisação de um segmento da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) e de servidores da Superintendência de Trânsito e Transporte (Transalvador) nesta quarta-feira, a concentração para o protesto não foi acompanhada por nenhum policial nem agente de trânsito. Os manifestantes começaram a caminhada às 16h30, interrompendo o trânsito por conta própria, mas de forma ordenada. Foi só após metade do percurso que alguns PMs começaram a se aproximar. Uma viatura do 18º Batalhão da corporação escoltou os integrantes do movimento.

Nas proximidades da Praça Castro Alves, a poucos metros do destino final (a prefeitura), outra viatura da PM tentou bloquear a passagem de um dos carros de som que acompanhava os manifestantes. Neste momento, houve um princípio de confronto, já que participantes do protesto ficaram na frente do carro da polícia. Em seguida, os integrantes do movimento começaram a correr em direção à Praça Thomé de Souza. O carro de som ficou.

A assessoria do prefeito informou na tarde da terça-feira (31) que ele não iria se pronunciar sobre o movimento. De acordo com o secretário municipal de comunicação, Diogo Tavares, os manifestantes não entraram em contato com a Prefeitura e nem apresentaram uma pauta de reivindicações.

TURISTAS - A movimentação extraordinária em frente a um dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade, o Elevador Lacerda, que fica ao lado da prefeitura, chamou a atenção dos turistas. Muitos deles registraram o evento com câmeras fotográficas e celulares. Três estudantes universitárias de Chicago, nos Estados Unidos, que estão na capital baiana estudando há pouco mais de uma semana, foram atraídas pelo protesto. Ao saber da motivação, o trio disse apoiar o movimento.

Deanna, Rachel e Ellen posam para foto no meio do protesto:

"A infra-estrutura de Salvador está terrível. A cidade é muito rica culturalmente, mas o patrimônio está realmente ruim. Antes mesmo de sabermos que estava acontecendo essa manifestação, estávamos comentando isso. Os prédios do Centro Histórico estão a ponto de cair. É lamentável", disse a estudante de Ciências Políticas Ellen Lose, 20. "Passamos duas semanas no Rio (de Janeiro) e quando chegamos aqui levamos um susto. Ficamos chocadas com o fato de uma cidade tão turística estar tão degradada", comentou Deanna Rowe, 19, que estuda ciências da computação.

Veja mais fotos do protesto:

Compartilhe essa notícia

DIGG NEWSVINE STUMBLE WINDOWS LIVE GOOGLE FACEBOOK MYSPACE
Comente esta matéria
validador 

Cadastre-se! Esqueceu a senha? O comentário é de total responsabilidade do internauta que o inseriu. O NE10 reserva-se o direito de não publicar mensagens com palavras de baixo calão, publicidade, calúnia, injúria, difamação ou qualquer conduta que possa ser considerada criminosa. Para participar, é preciso ser cadastrado no Portal.

Publicidade



ranking

especial

Largos e Pátios - pedras que contam a história

Largos e Pátios - pedras que contam a história

No aniversário das cidades, o portal convida a um passeio pelos pátios do Recife e largos de Olinda

Sistema Jornal do Commercio de Comunicação
© Copyright © 1997-2014, SJCC - Sistema Jornal do Commercio de Comunicação - Recife - PE - Brasil
Grupo JCPM