
O braço executivo da União Europeia (UE) disse nesta quarta-feira que a França precisa respeitar as regras de liberdade de movimento de pessoas dentro do bloco, numa manifestação sobre a expulsão dos ciganos do Leste Europeu - o governo francês começará na quinta-feira a expulsar 700 ciganos romenos e búlgaros que, afirma a França, vivem ilegalmente no país. A Comissão Europeia disse que observa a questão "com muita atenção", disse o porta-voz da UE, Matthew Newman. A Romênia e a Bulgária integram a UE.
A França "precisa respeitar as regras a respeito da liberdade de ir e vir e liberdade de residência" para cidadãos europeus, afirmou Newman. Segundo ele, os países europeus têm a liberdade de expulsar cidadãos de outros países do apenas sob certas condições.
O ministro do Interior da França, Brice Hortefeux, disse na terça-feira que os 700 ciganos búlgaros e romenos, que vivam em acampamentos não autorizados que foram desmantelados na França, serão todos enviados de volta ao Leste Europeu até o final de agosto. Ele disse que até agora a polícia francesa desmantelou 51 acampamentos ilegais dos "roma", ou ciganos romenos e búlgaros, e que três voos charter os transportarão amanhã, na próxima semana e no começo de setembro aos dois países de origem
Nas últimas semanas, o governo do presidente Nicolas Sarkozy lançou uma grande e polêmica operação contra os "roma", os ciganos de uma maneira geral e viajantes, fechando acampamentos não autorizados e expulsando ciganos estrangeiros do país. No mês passado, Sarkozy anunciou planos para desmantelar 300 acampamentos não autorizados ao redor da França.
A Romênia e a Bulgária aderiram à UE em 2007. Os cidadãos dos dois países podem entrar livremente na França sem precisar justificar os motivos da viagem e da estadia. Após três meses, eles precisam arrumar um emprego, estudar ou mostrar que possuem reservas adequadas de dinheiro para se manter na França. Estima-se que atualmente vivam na França 15 mil ciganos "roma" ou de outros países do Leste Europeu. Alguns vivem em acampamentos autorizados, embora outros vivam em campos não autorizados e prédios abandonados.
Fonte: Agência Estado
