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Pernambuco - 24.04.14 - Atualizado às 15h39

Grande Recife // imunização

Distribuição gratuita da vacina contra HPV no Recife só será cumprida em dois anos

Publicado em 22.10.2013, às 17h42


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A contaminação pelo vírus, no entanto, não significa o desenvolvimento de um câncer, já que existem mais de 100 tipos de HPV
Foto: internet

Luiza Freitas Do NE10

Apesar de já terem a distribuição gratuita da vacina contra o HPV (que atua na prevenção do câncer de colo do útero) garantida por lei municipal desde janeiro, as mulheres do Recife terão que esperar dois anos para serem imunizadas pelo serviço de saúde da cidade. Isso porque a demanda de mais de 70 mil doses solicitada pela prefeitura precisa de dois anos para ser produzida pelo laboratório licitado. Antes desse prazo, começará a distribuição nacional, através do Sistema Único de Saúde (SUS), em março do próximo ano. A abrangência do Ministério da Saúde, no entanto, é bem menor do que a determinada na lei municipal.

A vacina deve estar disponível na rede de saúde do Recife para mulheres entre 9 e 29 anos, segundo a Lei Municipal nº 17.830/2012, de autoria do vereador Rogério de Lucca (PSL). Pelos critérios do Ministério da Saúde, as doses serão aplicadas apenas em meninas de 9 a 13 anos de idade.

A média do custo de cada uma das três doses necessárias no tratamento é de R$ 400 na rede particular. No primeiro semestre deste  ano, foi realizado o processo de licitação, vencido pelo laboratório americano Merk Sharp & Dohme. Mesmo quando entrar em vigor a imunização através do SUS, muitas recifenses que estão dentro dos critérios municipais (9 a 29 anos) não irão ser vacinadas.

O ideal é que isso seja feito antes da iniciação sexual, mas já foram feitos estudos que mostram eficácia em mulheres de 55 anos

A escolha da faixa etária, segundo a ginecologista Angelina Maia, se deve pela imunização ser mais eficaz quanto mais cedo as meninas receberem as doses. "O ideal é que isso seja feito antes da iniciação sexual, mas já foram feitos estudos que mostram eficácia em mulheres de 55 anos". Segundo Angelina, a pesquisa mostrou que as mulheres com mais de 50 anos que menos ficaram protegidas tiveram um aumento de 60% dos anticorpos, um resultado muito positivo.

Enquanto isso, o município de Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife (RMR), já distribui gratuitamente a vacina desde setembro do ano passado, imunizando meninas de 9 a 12 anos, como mostrou a matéria do NE10 na época. Além da cidade, as doses já são gratuitamente aplicadas em todo o estado do Amazonas e em Brasília, e é tema de projeto de lei em Teresina, Belo Horizonte e Campo Grande, por exemplo.

A antecipação à distribuição nacional por parte de várias cidades se deve à gravidade do HPV - sigla em inglês do Papilomavírus Humano. A infecção é uma das grandes responsáveis pelo surgimento do câncer de colo do útero, o segundo que mais mata mulheres no mundo, atrás apenas do câncer de mama.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é de que em 2012 17 mil mulheres tenham sido registradas com a doença, que tem uma evolução lenta. De acordo com Angelina Maia, depois de contaminada pelo HPV, a evolução para um câncer pode levar de 5 a 10 anos. Quando detectado tardiamente, a doença pode ser de alta mortalidade. Em 2010, 4.986 mulheres morreram no Brasil em decorrência do câncer de colo do útero.

» Saiba mais sobre a doença navegando no especial Câncer entre lençóis

A contaminação pelo vírus, no entanto, não significa o desenvolvimento de um câncer, já que existem mais de 100 tipos de HPV. Entre eles, alguns com características mais agressivas que outros. A vacina que será distribuída tanto pela rede municipal quanto pelo SUS é a quadrivalente, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus. Entenda a evolução da doença:

No total, o tratamento com as três doses chega a uma média de R$ 1.200. Para as mulheres que não estão dentro da faixa etária determinada pelo Ministério da Saúde ou não estão dispostas a esperar pelos dois anos estabelecidos pelo município, podem desembolsar o valor e entrar na Justiça para pedir o reembolso à prefeitura.

Infográficos: Heyboo Design Studio. Fontes: Ministério da Saúde e OMS

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