
Na hora do rush, qual a forma mais rápida de se locomover dentro da cidade? Entre 12 transportes postos em julgamento nesta quinta-feira no Recife, a bicicleta levou vantagem diante de veículos como moto e metrô. Do Centro (Shopping Boa Vista) à Zona Sul da cidade (Shopping Recife), o ciclista precisou de 36 minutos, 2 a menos que quem fez o percurso de moto. A diferença da bike para o metrô foi de 23 minutos. Para o automóvel, 25 minutos, e para o coletivo, surpreendentes 43 minutos. A largada dos 12 voluntários se deu às 18h, e o percurso cumprido - que podia variar já que o traçado ficou à escolha do participante - era de cerca de 11 km.
No Desafio Intermodal, organizado pelo Observatório do Recife, os patins foram uma das surpresas. Ozildo Ferreira, o segundo a cruzar a linha de chegada, completou o trajeto em menos de 40 minutos. O rapaz conta que o trânsito lento o ajudou, uma vez que, devido à ausência de um asfalto próprio para a atividade, cortou caminho entre os automóveis. "Patins nas ruas do Recife é uma opção suicida. Você precisa ter bastante habilidade porque não há estrutura e, por isso, é preciso seguir pela via dos carros", disse Ferreira.
César Barros se locomove a pé, de metrô, bicicleta, sai de carona. Evita o carro e rejeita o ônibus por julgar mal planejadas as linhas e paradas. E também pelo fato de o transporte não atender a todo o território. Escolheu a corrida para contribuir com a pesquisa do Desafio e a avaliação que fez, pouco mais de uma hora após deixar o Centro do Recife, foi das piores. "Uma coisa é correr nas ruas com batedor, num circuito fechado. Outra é sair no meio de calçadas sem pavimento, com buracos. Quase torço o pé. Sem falar na falta de segurança e trechos desertos no caminho", reclama o arquiteto.
Um dos quatro ciclistas no evento, Sílvio Monte aponta os benefícios do transporte que abraçou: "Escolhi a bicicleta pelo cenário de caos no trânsito da cidade, porque contribui para o meio ambiente e para me manter saudável", lista. Erico Andrade segue a mesma linha. Completou o caminho parte caminhando, parte de metrô, mas é adepto da bicicleta porque prefere controlar o tempo de deslocamento e observar a cidade por outra perspectiva. "O metrô estava tranquilo, vim sentado lendo um livro. O problema foi descer na estação e vir andando para o shopping. Cenário muito esquisito, com ruas mal iluminadas", relatou.
O cronômetro marcava 1h01 quando Camila Marques chegou à Zona Sul em seu carro. O tempo a garota avaliou como bom, numa ressalva para o atípico fluxo de veículos que esta quinta-feira apresentava. "Vim pelas avenidas Agamenon Magalhães e Domingos Ferreira e notei que o trânsito não estava tão intenso. Ainda assim, é um percurso que deveria ser feito em 20, 30 minutos se não houvesse trânsito."
A combinação ônibus + metrô teve aspectos bastante positivos para Cláudia Holder. Ela cita a segurança e limpeza dos veículos, a possibilidade de interação com outras pessoas e o baixo custo da passagem. O valor desembolsado para pegar dois ônibus e um metrô foi R$ 2,15, já que ela usou a integração. Mas o lado ruim do passeio, que demorou 1h28, não ficou escondido: buracos na calçada até chegar na parada de ônibus e espera de 20 minutos até o coletivo aparecer foram anotados. "Ônibus não tem previsão de chegada, não tem frequência. Depois de 20 minutos aguardando um, chegaram logo dois juntos", queixou-se.
MAIS QUE TEMPO - O Desafio Intermodal, há sete anos realizado em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo e estreante no Recife, visa mais que cronometrar o tempo de cada modal. Debater a mobilidade urbana é o foco. Ao término do trajeto, os participantes responderam uma pesquisa avaliando segurança e praticidade do percurso, conforto e condições do trânsito. Custo do transporte e o cálculo da emissão de gases também estarão no relatório a ser apresentado em um mês pelos organizadores do evento. "Queremos discutir sobre outros meios de transporte. Cutucar os políticos e a sociedade para sair da estagnação de que só se precisa buscar soluções para o carro", apontou Angela Silva.
O tempo de cada modal:
1º bicicleta 36min 06seg
2º patins 37min 20seg
3º moto 38min 30seg
4º bicicleta + metrô 42min 06seg
5º bicicleta 49min 28seg
6º bicicleta + barco 52min 19seg
7º metrô + andando 59min 18seg
8º carro 01h01
9º corrida 01h02
10º ônibus 01h19
11º ônibus + metrô 01h28
12º caminhada 01h44
ACHO UMA IMBECILIDADE FAZER ESSE TIPO DE COMPARAÇÃO POIS ESTA NA CARA QUE A BICICLETA EM TRANSITO ENGARRAFADO ANDA MAS DEPRESSA POIS NÃO RESPEITAM NADA NEM SINAL NEM FAIXA DE PEDESTRE
Concordo quando dizem que algumas pessoas que andam de bicicletas e alguns pedestres não admitem regras, mas será que todo motorista habilitado admite as regras a ele impostas pelo CTB? Fico a me questionar, será que ensinam nas auto escolas a estacionarem em cima das calçadas? A parar seus veículos em cima das faixas de pedestres? Entre tantas outras barbaridades que vemos diariamente nas ruas. Eu sou a favor da disciplina de Educação no Trânsito em todas as escolas (públicas, privadas e municipais) desde o ensino fundamental até o ensino médio, por que o que mais se vê no trânsito Brasileiro é a falta de respeito, e aí todos estão inclusos pedestres, ciclistas, aqueles que andam de bicicletas e motoristas.
Será que nessa cidade todo mundo prefere andar de "bike" ou de patins pra tudo agora? Será que só eu prefiro andar de carro e por isso estou cometendo alguna pecado? Será que esses felizes ciclistas levam filhos ao colégio de "bike" ou de patins? Acho estranho, muito estranho que a cidade esteja cheia de carros e com um transito complicado também por uma administração caótica e só apareça nessa coluna defensores da idéia de que se deve abandonar os carros ao invés de reivindicar uma melhor gestão do transito. Estranho, muito estranho.
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