
Em 2004, um grupo de amigos queria manter o condicionamento físico para fazer trilhas de bicicleta nos fins de semana. Depois de procurar outros ciclistas, se juntaram em um grupo de ciclismo noturno: o Corujaqueira. Com o passar do tempo, o Corujaqueira cresceu e ficou cada vez mais organizado, completando nesta terça-feira (24) seis anos de existência, com cerca de quatro mil ciclistas associados e saídas semanais que juntam mais de 200 pessoas.
O Corujaqueira sai todas as terças-feiras do Parque da Jaqueira, na Zona Norte do Recife, às 21h. “Temos sempre o acompanhamento do BpTRan e de um carro de apoio”, explica Markus Georgii, um dos coordenadores do grupo. Os percursos, com duração de cerca de duas horas e meia, têm entre 25 e 40 km e passam por diferentes áreas da Região Metropolitana do Recife, alternando entre mais de 300 trajetos.
Georgii aponta que hoje existem mais de 15 grupos do tipo no Recife, muitos dos quais surgiram a partir do Corujaqueira. “O que fazemos não é apenas andar de bicicleta. Nas nossas pedaladas e no nosso website focamos na questão educacional, ressaltando a importância de pedalar de forma responsável, com todos os equipamentos de segurança e respeitando as normas de trânsito e de conduta social”, afirma Georgii.
Ele observa que ainda acontecem alguns casos de desrespeito por parte dos motoristas, mas que em geral os ciclistas têm percebido maior colaboração: “O cenário do trânsito em Recife nos últimos seis anos mudou muito. As pessoas estão se acostumando a ver pela cidade grupos como o nosso, e como seguimos as normas de trânsito, impomos respeito”, afirma, acrescentando que os motoristas costumam respeitar mais o ciclista, que anda com os equipamentos necessários, do que o chamado “pedaleiro”, que não usa acessórios e desconhece as leis de trânsito. Além disso, ele conta que nunca houve casos de assalto durante as pedaladas. “Ficamos sempre juntos e fazemos sempre caminhos diferentes, o que contribui para nossa segurança”, relata.
Entre os participantes há desde adolescentes a idosos, muitas vezes famílias inteiras. “A bicicleta tem o diferencial de ser muito democrática. Diferentemente de outros esportes, ela une famílias, casais, amigos, pessoas de várias idades e estilos. E é um momento de integração social, vemos entre os participantes bicicletas das mais baratas às mais sofisticadas. Estamos todos ali com os mesmos objetivos: andar de bicicleta e fazer amizades. Somos todos iguais ali, unidos por um interesse em comum”, afirma o ciclista.
“Antes do Corujaqueira o ciclismo no Recife era mais fechado, mas depois do surgimento desse grupo apareceram vários outros e muita gente foi incentivada a pedalar, mesmo quem não sabia. Hoje existem diversos grupos para todos os gostos e estilos”, afirma a fotógrafa Roberta Tavares, 58, que pedala com o grupo há cerca de quatro anos. Ela ressalta também o impacto do aumento da consciência ambiental na popularização da prática: “As pessoas têm se tornado cada vez mais preocupadas com o meio ambiente, e o ciclismo é uma das grandes formas de preservação”, acrescenta.
E, de acordo com Markus Georgii, as vantagens não param por aí: os passeios também possibilitam aos seus participantes conhecer a região onde vivem de uma forma diferente: “Quando passamos de carro, com todas as preocupações do dia a dia, não vemos o quanto o Recife é bonito. De bicicleta, prestamos mais atenção e passamos a observar a cidade com uma perspectiva diferente”, observa.
Para comemorar o aniversário do grupo, no dia 11 de setembro será realizada uma grande festa na sede da Editora Bagaço, no Poço da Panela, a partir das 13h. O evento contará com feijoada e churrasco e a camisa-ingresso será vendida pelo site do Corujaqueira.
ESPECIAL - Em 2009, o JC Online fez um especial intitulado A Revolução das Bicicletas, mostrando através dos quadrinhos que a bicicleta pode ser uma importante aliada das grandes cidades. Confira aqui.
