Treinadores

Duque e mais cinco sentiram o gosto de ser campeão pelos dois times

Publicado em 23/07/2009, às 23h14 | Atualizado em 31/07/2014, às 04h22

Do JC Online

As quatro linhas, a meta, a bola, as regras e os jogadores. Elementos básicos para uma partida de futebol. Mas tão fundamental quanto eles é a figura do técnico de futebol, que observa, orienta, agita, acalma e, sobretudo, organiza os jogadores, para que se tornem, entro das quatro linhas, um organismo perfeito que, em conformidade com as regras, faça a bola ultrapassar a meta dos adversários. Poucas vezes herói, muitas vezes vilão, o treinador é também parte constitutiva do Clássico dos Clássicos.

Muitos treinadores sagraram-se campeões diante do rival. Sílvio Pirilo, Alfredo Gonzalez e Antoninho sentiram o gostinho de, com o Náutico, derrotar o Sport numa final, enquanto Gentil Cardoso, Ênio Andrade, Orlando Fantoni, José Carlos Amaral e Givanildo Oliveira tiveram o prazer de levantar uma taça pelo Leão numa decisão contra o Timbu.

Poucos foram os que tiveram o privilégio de ser campeões dos dois lados: Gentil Cardoso (1955 pelo Sport, 1960 pelo Náutico), Orlando Fantoni (1974 pelo Náutico e 1981 pelo Sport), Ênio Andrade (1977 pelo Sport e 1984 pelo Náutico) e Mário Juliato (1980 pelo Sport e 1985 pelo Náutico). Mas ser campeão dos dois lados vencendo justamente o rival na final é um feito alcançado por apenas dois homens: José Mariano Carneiro Pessoa e David Ferreira. Mais conhecidos como Palmeira e Duque, respectivamente.

Tricampeão pernambucano pelo Náutico (1950-51-52) e bi pelo Sport (1961-62), Palmeira, enquanto alvirrubro, superou o Sport em 1951 e, enquanto rubro-negro, derrotou o Náutico em 1961.

Palmeira, aliás, é o técnico que mais vezes comandou o Náutico. Ao todo, foram 232 jogos. Curiosamente, é o segundo que mais treinou o Sport: o fez em 271 partidas.

Já o técnico Duque ganhou quatro títulos do hexacampeonato pernambucano do Náutico (1964/66/67/68) e se redimiu perante os rubro-negros com o título de campeão pernambucano de 1975 — importantíssimo para o Sport, que não era campeão havia 12 anos.

\"Eu, quando trabalho num clube, me entrego de corpo e alma a ele. E não gosto nem de papo com o pessoal dos outros times, sejam eles quais forem. Pode até ser meu amigo íntimo, que eu não gosto de papo. A minha forma de trabalho era sempre essa. Onde quer que eu estivesse. No Náutico e no Sport eu agia dessa maneira\", disse Duque, de sua residência, no Rio de Janeiro, onde reside até hoje.

Nascido em Belo Horizonte em 1926, Duque marcou época no futebol pernambucano pelas vitórias. Além dos quatro estaduais pelo Náutico e do título de 1975 pelo Sport, o ex-técnico levantou duas taças no Santa Cruz, em 1970 e 1971. Um técnico campeoníssimo em pernambuco, que dava especial atenção ao aspecto motivacional dos jogadores e que sabia utilizar a questão da rivalidade entre seus jogadores.

Ao mesmo tempo, Duque um técnico que se classificava como linha-dura. \"Os jogadores têm que ter vida regrada, como tinha por exemplo o Ivan Brondi, que era o meu capitão, meu homem de confiança dentro do campo durante os jogos e até fora dos jogos para aconselhar a alguns cabeças-ocas que não se comportavam adequadamente\", opina o ex-treinador, que treinou clubes como Fluminense, Corinthians, Olaria e por anos trabalhou no futebol no Oriente Médio. Após encerrar a carreira, foi por um bom tempo foi comentarista em Rádios no Rio de Janeiro e até hoje faz as vezes de observador de equipes e jogadores, quando algum clube lhe pede.

Duque primava pelo aspecto tático e destaca a sua polivalência como um trunfo em sua carreira. \"Eu era o preparador físico, era o preparador técnico, era o preparador tático e era o homem que impunha a psicologia a serviço da equipe. Eu conseguia conciliar, porque eu sou ex-jogador de futebol e também profissional de educação física. Eu fazia as coisas não ver outros fazerem, mas por que aprendi a fazer\", disse.

Eventos curiosos, entretanto, também marcaram sua passagem em Pernambuco. Como os espiões que mandava para fazer amizade com os adversários e, assim, colher todas as informações sobre o time. O espião chegava a levar os jogadores para tomar uma cervejinha. Ou como a presença do \"Pai Edu\" entre os atletas.

Duque fala do Sport.

Duque no Náutico.

Sobre Pai Edu.

Linha-dura.

O estrategista.

O espião.

Rivalidade.

Sucesso.

Pernambuco vencendo o preconceito.

PALAVRAS-CHAVE: futebol

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