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Recife - 16.05.12

Mostra

Atuações interessantes marcam primeira noite de curtas no Cine PE

Publicado em 28.04.2009, às 09h04

Clarissa Siqueira Do JC Online
Blackout, com Wagner Moura, tem como cenário uma sala da Assembleia Legislativa
Blackout, com Wagner Moura, tem como cenário uma sala da Assembleia Legislativa
Foto: Divulgação

A exibição da mostra de curtas do Cine PE 2009 começou com um pequeno atraso, um pouco mais de meia hora, por volta das 19h15. Para iniciar a noite, o primeiro curta digital foi a animação 'A Ilha'. Todo em terceira dimensão (3D), o filme faz uma piada, uma sátira da individualização nas grandes cidades. Levando em consideração a máxima de que "nenhuma pessoa é uma ilha", o diretor Alê Camargo coloca um jovem preso no meio de uma avenida super movimentada, onde é praticamente impossível atravessar. Ele fez do canteiro entre duas vias de uma avenida um espaço isolado. Diferente do Náufrago, de Tom Hanks, o jovem se vê muito perto da sociedade e, ao mesmo tempo,  não consegue contato com ninguém. O personagem aprende a viver apenas com uma árvores e animais, até que Deus possa colocar na vida dele um sinal e uma faixa de pedestre. O interessante dessa animação não é apenas a sua qualidade, mas a noção de tempo estabelecida pelo diretor. Com humor e uma pitada de ação, o filme é subdivido em capítulos, mostrando o quanto o jovem se transforma ao passar dos dias sozinho, tornando-se uma figura quase grotesca.

Os fãs de histórias em quadrinhos e de ficção científica com certeza adoraram 'Manual para se Defender de alienígenas, zumbis e ninjas', do diretor André Moraes. Para aqueles que não entendem muito de HQs, o filme valeu pela atuação de Lúcio Mauro Filho. É a história de dois amigos que ganham em um sorteio um kit para destruir inimigos alienígenas implantados no Brasil. Com um roteiro sem muito propósito, o curta quer mais entreter do que propor algo novo. Realmente vale para rir - e para ver também um Lucio Mauro Filho se divertir em uma excelente atuação. "O filme foi feito por amigos, para amigos", explica o diretor do vídeo.

E o que acontece quando um casal de aparência caricata resolve se vingar das atendentes de telemarketing? A resposta está no terceiro curta da noite, 'O Troco'. Se a proposta desse era fazer a platéia do Cine PE se sentir vingada pela demora nos atendimentos telefônicos, ele conseguiu. O diretor André Rolim aproximou tanto a roteiro da realidade, que foi o filme mais aplaudido da noite. E a estética de 'O Troco' é simples: dois cenários, três bons atores, clima retrô anos 80 e bom humor. 

Em seguida, houve a apresentação do documentário realizado no Recife, mas editado em São Paulo, 'Menino Aranha', de Mariana Lacerda. Vertiginoso, o curta conta a história de Tiago João da Silva, que praticava furtos escalando prédios, assassinado em 2005. A película transmite uma sensação de enjoo devido a uma nova estética, proposta em utilizar muitos takes em plano-sequência, de prédios altos, principalmente no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. A sensacão é de que vamos cair o tempo inteiro. Ao fundo, escutamos entrevistas em off, como apenas uma narração da vida do Menino Aranha, sem identificação de nenhuma voz. Nova proposta que valeu a pena, pois dá um tom de fábula a uma vida tão dura quanto a de Tiago, mais uma criança sem infância.

O quinto curta da noite foi 'Ana Beatriz', da diretora Clarissa Cardoso. O filme mais fraco da abertura do Festival é uma montagem de fotografias, stop-motion, com uma narração. Influência clara de 'Vinil Verde', de Kleber Mendonça Filho, mas sem a mesma qualidade. "É uma história de amor, de um amor que existia mesmo antes do casal se conhecer", aponta Clarissa Cardoso. E termina por aí, sem maiores novidades.

O último do primeiro dia d Cine PE foi o melhor. 'Blackout', de Daniel Rezende, trouxe surpresa ao público. O curta é bem dirigido, montado e com atores de primeiríssima linha, como Wagner Moura e Augusto Madeira. Eles estão brilhantes nos personagens de um assessor parlamentar corrupto e um suplente, que resolvem fumar maconha nas salas em reforma da Assembleia Legislativa. Em um tom meio escuro, intimista, o filme parece ser todo em plano-sequência, mas descobrimos cortes a partir do momento em que damos conta de mais um personagem, que está a todo tempo no local. Para aqueles que não viram, vale a pena descobrir mais sobre o filme.

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