
Breno Pires
Do JC OnLine
Depois do escaldante sol do Galo do Sábado de Zé Pereira, a chuva torrencial que caiu à noite e virou a madrugada era um belo motivo para muita gente passar o domingo de Carnaval em casa. Mas não quando se trata de Pernambuco e, muito menos, de Olinda. Sobretudo no domingo de Carnaval, quando, com o reforço dos foliões que brincaram o Galo, no Recife, de fato as ladeiras esquentam.
As milhares de pessoas que desceram e subiram as ladeiras de Olinda, pulando em blocos como o Ceguinho de Olinda, Conxitas, Bloco Pirata, Enquanto Isso na Sala de Justiça ou Já Que Tá Dentro Deixa mostraram uma animação que não se pode arrefecer. O tempo nublado indicava que podia chover a qualquer momento, e que a chuva não teria piedade. No entanto os foliões compareceram em bom número e, à medida que o céu ficasse mais limpo, mais gente sedenta de frevo chegava.
Notável pela originalidade de seus super-heróis, o Enquanto Isso na Sala de Justiça trouxe os mais diversos personagens do mundo dos quadrinhos e do cinema, além de fantasias de figuras que não necessariamente tenham superpoderes [Veja galeria de fotos].
O bloco saiu por volta do meio-dia do Alto da Sé e fez uma parada estratégica na Praça do Carmo para reabastecimento de energia — mesmo com "superpoderes", ninguém é de ferro. E tome frevo após a parada.
Em muito maior número que os super-heróis estavam os superfoliões, aqueles que aguentam sol e chuva, prontos para o próximo frevo rasgado. Foliões como os que brincaram no Já Que Tá Dentro Deixa, que há cinco anos se concentra no Clube Atlântico, na Praça do Carmo, de lá sobe a ladeira e percorre rua por rua da Olinda histórica.
O bloco conta com diretores, mas também colaboradores que participaram ativamente da organização. Um deles é Miguel Mendes, estudante de Direito, que ressaltou a disposição à prova de chuva dos integrantes. "Todo ano lota, mas a gente esperava que hoje viesse menos gente por causa da chuva. Mas nem isso tirou o pessoal do bloco. Tem gente pra caramba. Está sendo arretado!", disse.
A ameaça de chuva assustou, mas não afugentou. Não foi preciso fazer sol para as ladeiras pegarem fogo nessa anárquica harmonia de frevos, cores e fantasias que se modificam e atualizam sem, no entanto, perder a essência.
